Make your own free website on Tripod.com

E.E JOÃO DOS SANTOS AMARAL– RO45C3

RUA ALEIXO MARTINS, 03 – CENTRO

BANDEIRA – MG – TELEFAX (33) 37281150.

Minha 1ª experiência com informática na educação.

 

Fiquei lisonjeada quando fui convidada pela nossa diretora para participar do PROINFO.

Apesar da precariedade que se encontra nossa Central de Informática, decidi compartilhar meu entusiasmo com os demais professores e alunos.

Grande parte do alunado é carente de tudo; pertence à zona rural; com defasagem idade série; auto-estima muitas vezes arrasada por problemas familiares; repetente seguidas vezes; que está preste a abandonar a escola; que pede licença para ir ao banheiro apenas pelo prazer de sair da sala e que passou de ano com dificuldade de aprendizagem. Dessa forma, começou a rotular-se como incapaz, acomodou-se a esse conceito e começou a comportar-se como se realmente não tivesse habilidades. A sala de aula deixou de ser novidade e às vezes parece que não falamos a mesma língua. Senti que eu precisava fazer alguma coisa para elevar a auto estima dos nossos alunos.

Assim que eu terminei o 1º módulo, entrei nas salas, expliquei tudo sobre o programa e marquei a data que ia levá-los para conhecer o computador. Essa notícia caiu como uma bomba na escola. Causou o maior auê entre os alunos.

E para descobrir quais as expectativas desses alunos em relação ao computador, em 2001 levei-os à Central para um primeiro contato com a máquina. Houve resistências: uns com medo e muitos numa excitação total. Dois ou três, no primeiro dia, nem entraram na sala, parecia que lá dentro tinha um bicho de sete cabeças.

Imprimi a tela do Word, Paint e o modelo do teclado numa lâmina para retroprojetor e comecei ensiná-lhes a trabalhar com a máquina. Depois de mais ou menos familiarizados com ela, eles participaram de um texto rodízio, fizeram anúncios usando figuras do Clipart e letras do WordArt.

Quando comecei as explicações, fui interrompida por um aluno que pediu a palavra e disse:

___Néia, primeiro de tudo, quero saber o que é "clicar"!

Foi uma experiência muito gratificante na minha vida e inesquecível para os alunos. Não houve problemas de indisciplina e o interesse foi total. Eles aprendiam com a maior facilidade e memorizavam o que foi ensinado. Todos dispostos a aprender e a ajudar àqueles mais lentos. Em momento algum eles se dispersaram, pelo contrário, demonstraram que realmente tinham habilidades.

Em meio a tanta carência, ouvi um pequeno desabafo de um aluno da zona rural que nunca saiu do município de Bandeira: "eu nunca vi uma aula tão boa quanto esta!"

Sem contar que outro dia fomos advertidos pela secretária da escola que havia vencido o último horário e nem tínhamos percebido. O mais incrível é que ninguém reclamou, de tão envolvidos que estavam. Foi aí que percebi que tal mudança de comportamento deve ao fato de estar num novo ambiente de aprendizagem.

Outro momento que me emocionou muito, foi quando uma mãe carente acompanhou o filho até à sala de informática. Ela ajudou- o no que foi possível. Depois de terminarmos nossos trabalhos eu perguntei o que acharam da aula e ela me respondeu: "da próxima vez que você for dar aula aqui novamente eu não vou perder. Quem vai aprender mexer nessa "bicha", sou eu. Você manda me avisar?"

Eu contive minhas lágrimas pois pensei que os alunos não iam se interessar de forma alguma pelo fato de nunca ter visto um computador de perto e também pelo grande desinteresse já demonstrado anteriormente em sala de aula.

Mais interessante ainda foi quando um grupo de alunos que usavam o mesmo computador, foram digitar a palavra passarela. Eles me perguntaram por que algumas palavras ficam sublinhadas de vermelho e eu expliquei. Um deles digitou a palavra com um S só e apareceu a linha vermelha logo abaixo dela. O seu companheiro do lado gritou: "ta vendo seu burro, essa palavra é com Ç". Trocou a letra, mas a palavra continuou sublinhada de vermelho. O 1º retrucou: "se não é com S nem com Ç, só pode ser com dois SS, vamos colocar pra ver?" Dessa vez, o computador entendeu a palavra como correta e eles vibraram com isso.

Foi assim que percebi que meu entusiasmo contagiou todo mundo. Eles passaram a me cobrar toda vez que me via pelos corredores.

Depois de tanta emoção boa, de momentos inesquecíveis partilhados com os alunos, resolvi fazer um projeto de trabalho interdisciplinar chamado: "Nossa 1ª vez" e estamos desenvolvendo na escola com muita dificuldade por sinal, uma vez que os computadores travam a todo momento e não estão conectados em rede.

Tenho fé em Deus que um dia isso vai melhorar para que nossos alunos, tão sem sonhos, possam vir a sonhar novamente e se sintam cidadãos de fato, numa sociedade cada vez mais, tecnológica.

Como diz Rubem Alves: "dar aula é só dar alguma coisa. Ensinar é muito mais fascinante".

 

Adinea Campanha Mares, sonhadora, auxiliar de secretaria e professora de Literatura Infanto Juvenil nas 5ªas e 6ªs séries.

 

"As mudanças na educação dependem, em 1º lugar, de termos educadores maduros intelectual e emocionalmente, pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar. Pessoas que com as quais valha a pena entrar em contato, porque desse contato saímos enriquecidos".

(Do livro Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica).

Início